Eu e as pessoas

Desde que minha irmã foi para fora do país fazer mestrado (meses atrás) eu revi minha relação com as pessoas, dado minha nova solidão.

Quem me conhece um pouco sabe como eu não sou a pessoa mais sociável do mundo. Mas não é que eu não goste de pessoas (teoricamente). Eu só quero manter uma distância saudável (querendo proximidade só com umas poucas) e interagir com elas quando há motivos práticos para isso (uma conversa interessante e um jogo valem como motivos práticos).

De fato parece que eu sou bem introvertida. Mas não sou só introvertida como tímida. Tenho um grande medo de incomodar ou ofender os outros. Com o tempo melhorei isso, mas provavelmente nunca ficarei “curada”. Mas o meu eu racional não me deixa ficar preocupada por muito tempo, e assim sigo vivendo.

Como é de se esperar, tenho poucas amizades. As pessoas que considero mais próxima de mim são minha família e umas poucas amizades que foram iniciadas por minha família (amizades “terceirizadas”). Eu considero uma verdadeira amizade aquela com que eu tenha mais liberdade de conversar e mantenha contato (acho que não tem 10 que se encaixariam nisso, mesmo contando com família). Muitas pessoas com que eu conversava com certa frequência não tenho mais contato depois da separação (não forcei conversa por chat ou encontros sem motivo). Isso me deixa desapontada. Não vejo motivo para me desgastar tentando estabelecer um laço com alguém se isso não irá durar. Ainda virá o dia que farei amizade com alguém com quem mantenha contato (além da família tenho só amizades terceirizadas. Não são inferiores, mas não foi eu que estabelecei tal laço a princípio).

Comumente eu sinto que não me encaixo com as pessoas em volta. Poderia dizer que sou diferente delas, mas não tenho tanta liberdade para falar isso, afinal eu não conheço bem elas (de certo modo, nem me conheço direito).  Temo que eu seja como um desses adolescente que acha que ninguém os entende e que os problemas deles são únicos, quando eles não têm nada de original e são bem compreensíveis. Mas eu pareço mesmo ser um pouco “excêntrica”, e tento ver isso como algo positivo, fazendo algumas poucas mudanças de comportamento para ser socialmente mais funcional (o eu racional agindo novamente).

Verdade que faço pouco esforço para me adaptar socialmente. Talvez eu queira ser mais autêntica. Ou seja preguiçosa. Meu comportamento fora de casa varia entre estar fechada (quando não me sinto muito confortável, em que quase não abro a boca) e eufórica (quando entro numa conversa de meu interesse, e frequentemente falo demais). Nenhum dos dois é muito saudável, e na medida que fico mais velha venho controlando mais essa bipolaridade (espero).

Já me perguntei se eu era uma pessoa egoísta. Mas eu posso ajudar os outros enquanto for algo que esteja entre minhas capacidades (servir de apoio emocional não está bem entre elas) e me ofereceria para tal (se visse tal necessidade, o que dada a minha distração seria a parte mais difícil, ou se alguém falasse comigo, também difícil). Falar de assuntos de meu interesse me parece algo normal (quando não se faz small talk). De qualquer modo, muito da socialização é feita para se satisfazer a necessidade social, o que não é algo lá muito altruísta. Enfim, não me considero mais egoísta que as pessoas normalmente são.

Eu gosto muito do ser humano de maneira mais abstrata. Gosto de culturas, história e me interesso por ciências humanas. Meu conhecimento teórico sobre pessoas está muito baseado nisso e nas ficções que vi (além de alguns “causos” que ouço por minha família). Não tenho muito conhecimento “prático”, mas é difícil realmente conhecer alguém. Tenho “relações humanas” nos momentos oportunos (necessários ou que sejam agradáveis). Queria arranjar alguns amigos, mas posso ficar do jeito que estou.

Antes eu sentia mais que meu comportamento era errado, mas cheguei num ponto que já aceitei o meu “jeito de ser”. Tem alguns aspectos que tento mudar e às vezes tento socializar um pouco mais, mas para chegar ao nível “mediano” de socialização teria de gastar tantas forças que não valeria a pena. Não seria bom se a maioria das pessoas fossem como eu, mas como minoria é um grupo que tem sua função social. Por enquanto, me aproximo de algumas poucas pessoas que tenho mais afinidade e fico satisfeita.

Fonte da imagem

 

 

Advertisements

One thought on “Eu e as pessoas

  1. Só deixe algumas pessoas saber que você estará disponível para elas caso precisem e se permita alguns choques com pessoas diferentes de você. Nos faz evoluir.

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s