Opinião – Discurso de opressão

Esse meme é um dos relacionados ao povo de internet que vê opressão por todos os lados

Uma das coisas que mais me incomoda no mundo ocidental contemporâneo é o discurso de opressão, essa ideia de que existe tanta opressão que fariam as supostas minorias viver em tamanha desvantagem. Em países democráticos contemporâneos há pouco espaço para opressão sistemática, pois leis são feitas de modo a garantir mais igualdade e é propagado um discurso promovendo igualdade e incriminando discriminação. Por mais que as leis não funcionem tão bem na prática, e existiria ainda preconceitos sociais, a desigualdade em “sociedades democráticas” está mais em favorecer classes de certo poder econômico ou político do que ser tão baseada em questão racial, sexual ou de gênero, que são os aspectos minoritários que muitos falantes de opressão social parecem mais gostar de falar.

O conceito de minoria já envolve problemas. Existe a consideração numérica, mas frequentemente é vinculado com conceito de dominante e dominado ou opressor e oprimido, termos já bem problemático. Eles são bem generalizantes, e parecem ignorar o poder de influência de questões pessoais. Além do mais, parecem gostar de generalizar condições de um país ou mesmo de todo o ocidente, ignorando as condições específicas de uma comunidade, que podem ser bem mais significativas para os envolvidos do que a condição generalizada do país.

É curioso como em um mundo que valorize a força e liberdade do indivíduo, ainda se recorra tanto a fatores sociais quando lhe convêm. Eu não tenho de fazer maiores esforços para me conformar às normais sociais, é a sociedade que tem que me aceitar do jeito que sou, mas ainda posso cobrá-la em relação a todos aos supostos privilégios que não me foram concedidos e como eu já me senti ofendida e discriminada. Não tenho deveres, só direitos.

É estranho como o rótulo de minoria é usado como se de alguma forma te fizesse mais especial. O uso da palavra “especial” para se referir a pessoas com deficiência mostra como o termo pode ser usado para qualquer coisa “incomum”. Eu entendo que podem usar isso como forma de compensar a suposta opressão que sofrem, mas pessoas deveriam ser valorizadas pelo seu trabalho, não por características inerentes, orientação ou opção sexual. Acho meio estúpido ficar orgulhoso disso (na minha visão mais individualista e funcional). Alguns integrantes dessas minorias em vez de querer igualdade ou respeito querem atenção, seja por que querem se sentir especiais ou para compensar inseguranças. Rótulos não vão te fazer especial. Quer ser especial vá trabalhar, se esforçar pra fazer algo produtivo da tua vida.

O conceito de privilegiado é algo me dá nos nervos. Primeiramente, se você está se referindo a uma condição majoritária não faz sentido falar de privilégio, mas que o outro estaria em desvantagem ou é prejudicado, já que privilégio lembra uma condição mais especial. Esse termo é usado provavelmente para dar aquele sentimento de culpa. Aliás, culpa parece ser um dos sentimentos que isso mais se baseia. Culpa e revolta.

Essa culpa se deriva da suposta dívida que os privilegiados tem em relação aos não privilegiados. O termo “dívida histórica” está dentro da minha lista negra. Se o meu tataravô foi o ser humano mais desgraçado de toda a história da humanidade ou se ele foi o mais privilegiado isso deveria importar? Existem prováveis reflexos da condição de seus antepassados na sua atual, mas acho que o mais importante é o esforça pessoal dos pais ou outras pessoas que lhe serviram de suporte do que determinismo social, seja pelo esforço que tiveram para ascender ou manter a posição social ou, mais importante, como eles te criaram, proveram suporte emocional, financeiro, etc.

É engraçado como os dados são usados de uma maneira parcial e manipulativa para reforçar o discurso. Vamos falar como negros são mortos, ignorando as condições do crime e quem foram os assassinos. Vamos falar da diferença salarial de homens e mulheres, ignorando o fato de que isso se deve mais à diferença de profissão e cargo e que já existem leis que proíbem pagar diferentemente homens e mulheres na mesma posição. Vamos falar como mulheres na faculdade são estupradas, incluindo sexo sob efeito alcóolico como estupro, fazendo a situação parecer muito pior do que é na realidade.

As pessoas falam da existência de opressão frequentemente se referindo ao passado ou a casos pessoais. Num sistema opressivo a opressão é mais facilmente percebida pelas leis e como elas são postas em prática. Em países que as leis condenam a discriminação por raça, sexo ou gênero, religião, etc., e de modo geral a sociedade propaga o discurso anti-discriminação é difícil defender a existência de tal opressão sistemática.

O primeiro passo do discurso da opressão é dizer como tal grupo é oprimido, ou convencê-los de que são. É notável que em um sistema mais opressivo seria mais fácil reconhecer isso. Mas na falta de sinais mais claros de tal opressão sistemática, eles tem de convencer a pessoa que é oprimida, e isso se baseia muito no sentimento. Numa sociedade em que uma das principais evidências de opressão são pessoas olharem para outras com uma cara não muito boa é discutível qual é a opressão real sofrida. Acreditar no sistema opressivo parece exigir mais fé que muitas religiões.

Um dos problemas desse discurso é como reforça a segregação. Ao apontar para suas características de “minoria” e considerá-las tão importantes para definir quem você é, dizem como você é tão mais semelhante àqueles que partilhem tais características e aqueles que não seriam automaticamente mais distante de você. Parece limitar o número de pessoas que você possa considerar próxima. Eu acho mais fácil que gostos pessoais sejam mais relevantes para me aproximar de alguém do que gênero, raça, sexualidade. Questões culturais seriam mais relevantes, mas seria bom promover contato entre pessoas de culturas diferentes, já que é mais tão natural preferir aquele com pessoas de cultura próxima. Seres humanos são complexos, e querer reduzi-los a essas características é excessiva simplificação.

Se acreditar que é oprimido traz o cansaço da paranoia e revolta, também traz o alívio de poder responsabilizar terceiros por seus problemas pessoais. Eu mesmo já me senti tentada a responsabilizar alguns de meus problemas por ser mulher, como se homens não tivessem tais problemas. Ache ou invente um “ismo” opressor ou fobia de que você é vítima e você avançará no seu curso de vítima social.

Outro problema é como eles menosprezam as minorias. Muitos se fazem porta-voz de categorias, como se elas precisassem de porta voz. Em um mundo de internet qualquer um pode ter voz. Se aqueles que não se enquadram na categoria tem o estranho condicionamento de se considerarem advogados, os da própria categoria podem ter um complexo messiânico.

De modo geral, existe certo menosprezo pela capacidade mental humana. Pessoas são tratadas como recebedoras inconscientes da cultura dominante, sem nenhuma capacidade crítica até que os profetas da liberdade da opressão os iluminem. Vamos ignorar o fato de que desde sempre pessoas são capazes de questionar a cultura dominante e que com tanto acesso à informação é difícil fazer com que as pessoas só tenham acesso a um tipo de discurso e cultura.

Sei que algumas dessas pessoas pensam no bem alheio, mas com meu ceticismo e o individualismo da sociedade contemporânea vejo muito desses discursos sendo mais usado em benefício próprio, seja para se posar de vítima da sociedade ou salvador dos oprimidos. Ou para dizer como você é mais esclarecido que os outros. Ou só para ter motivo para ter raiva, ficar de revolta, ofendido ou “triggered”. Problema de ser ofendido é outro de que falarei futuramente.

O meu problema final com essa cultura de oprimido é como não ajuda. Reforçando as diferenças e promovendo segregação, isso só alimenta preconceito e desentendimento, chegando às vezes a ser um discurso de ódio contra as supostas maiorias opressoras. Ensinar o “oprimido” a ser paranoico e ressentido contra a sociedade, eles estão bem longe de solucionar o problema dele.

Futuramente eu falarei de questões de opressão e minoria, esse é mais geral. É um assunto que me incomoda faz tempo, mas pela delicadeza do assunto e minha irritação protelei por tempos. Espero que o uso de aspas ainda esteja dentro do tolerável.

P.S.: Eu não nego a existência de opressão na sociedade atual. Eu só me pergunto qual a real extensão de tal opressão e questiono o quanto a reclamação realmente ajuda em alguma coisa. Aliás, eu aceito críticas e gostaria de ouvir algumas, enquanto respeitáveis.

Na medida que o tempo passa posso mudar de opinião. Não quero ficar alterando muito o texto original, tirando correções de escrita. Posso atualizar no P.S.

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