Retrospectiva 2016 e perspectivas

Eis que o ano está acabando! Agora posso olhar para o que fiz esse ano e refletir minhas decisões de vida. Eu falarei de questões mais pessoais, não os dramas nacionais e internacionais.

Esse ano não foi particularmente bom pra mim. Eu não acho que nenhum dos anos de minha vida foi muito bom desde que passei a ter consciência o suficiente para começar aperceber as angústias da existência humana, mas acho que esse ano foi particularmente difícil. Tem vários motivos para isso, incluindo a solidão pós-saída-de-mana, cansaço da universidade, não realização de projetos e ter mantido a minha mente desocupada o suficiente para ficar lamentando minha existência e a da humanidade.

Eu me senti um tanto quanto travada na vida. Embora consegui meus alguns créditos na universidade, me pergunto o que aprendi. Não acho que melhorei lá minhas habilidades artísticas, se eu verdadeiramente tenho alguma. Parece que o trem da vida passou e eu só olhando parada com aquela cara estúpida que faço frequentemente quando acontece alguma coisa mais inusitada e me faz perguntar se sou mesmo inteligente.

De modo geral, acho que não fui muito bem na administração do meu tempo. Aquela sensação desagradável de ir dormir sentindo que você que você não fez nada o dia inteiro se tornou rotina. As pessoas tem um limitado número de dias para viver, e aqui estou eu gastando os meus sem ficar contente, fazendo algo que considero produtivo ou fazendo qualquer coisa que ache que compense o espaço e recursos que consumo.

Eu posso fazer uma longa lista das coisas que não fiz esse ano. Bom, eu não estudei alemão! Eu de fato tinha comprado material de estudo, mas dificuldade em achar o áudio certo dos exercícios e o fato de que não achei muita bolsa que poderia pegar me desanimaram. Pelo menos acho que não cheguei a perder o conhecimento já adquirido, jogando um pouco no Duolingo e tal. Espero estudar de verdade ano que vem, ainda que pouco.

Com a perspectiva de tentar conseguir uma bolsa integral de pós-graduação no Japão, talvez eu consiga manter um intensivo programa de estudo. Mas eu tenho minhas dúvidas se serei capaz de aprender japonês até julho do ano que vem, que seria exigido conhecimento prévio da língua quando se quer estudar relacionado ao Japão, e já temo a perspectiva de me matar pra aprender rapidamente o idioma e não conseguir a bolsa depois. Em tese aprender a língua seria um ganho de qualquer modo.

Eu sei que se eu conseguir de fato estudar fora eu provavelmente terei um ataque de pânico. Mas eu quero mudar, e já que pareço ter a força de vontade de uma pedra quero algo que me faça começar a rolar e saia da posição que estou. Eu sou problemática.

Aliás, eu fiquei mencionado a coisa dos livros e bolsa para pessoas aleatórias. Eu sinto pena das pessoas que tiveram de ouvir minha verborreia. Eu não sei se eu estou certa em me considerar tão irritante ou minha baixa autoestima me faz parecer pior do que realmente sou. Basicamente minhas interações com pessoas se resumem a eu ficar entusiasmada demais falando de coisas aleatórias e me arrepender depois das besteiras que falei. O desconforto na hora mais o arrependimento depois são frequentemente maiores que o prazer momentâneo de conversar, então é fácil ver por que eu não gosto muito de conversar.

Sem a minha irmã pra me levar pra passear, eu talvez tenha saído de casa ainda menos que de costume. Talvez eu possa estar tentando achar na internet o preenchimento de um vazio social. Eu sei que relações virtuais e não-virtuais tem suas diferenças, mas gostaria de poder manter interações nesse ambiente que não é tão limitado quanto o físico. Eu não chegarei a virar um hikikomori, que mesmo se eu pudesse isso não é saudável fisica e psicologicamente, mas não quero me forçar a ter interações que me cansem tanto. Verei como será minha socialização no ano que vem.

Eu também li muito pouco. O plano do ano era ler 50, mas chegou dezembro e só tinha lido 11. Pensei em desesperadamente terminar 13 nesse último mês, mas questionei a utilidade dessa pressa desnecessária. Agora estou no meu vigésimo do ano, que talvez não chegue a terminar hoje. Vocês saberão se eu atualizar no Goodreads.

Eu não consumi muita ficção. Também vi pouco filme, embora isso se relacione à preguiça de sair e gastar dinheiro para ir ao cinema. Talvez o aumento do senso crítico está deixando a tarefa de ler ou assistir ficção mais cansativa, já que ganhei o hábito de ficar analisando obras, e estou perdendo a paciência com clichês e obras “medianas”.  Espero não chegar a perder o gosto pela ficção.

Para alguém que não gosta de gastar tempo assistindo série, é engraçado o tempo que consumi vendo vídeos no YouTube. Eu posso fingir que isso foi alguma coisa boa, falando que as análises de filme me ajudaram a desenvolver um senso crítico, e os vídeos de comentário talvez exercitem alguma capacidade crítica, ou pelo menos me façam ver opiniões alheias. Mas tenho minhas dúvidas, e o fato de que os vídeos que assisto não formam uma lista bonitinha como a de livros lidos dá mais aquela sensação de tempo desperdiçado.

Recentemente eu voltei a jogar jogos mais elaborados, não só os de graça matching e puzzle de mobile. Por mais que eu não considere jogar algo tão produtivo, embora possam ser servir de exercício mental, é uma das atividades que me traz mais satisfação e se eu tivesse feito mais disso durante ano poderia ter evitado momentos de depressão.

Umas das poucas conquistas esse ano foi criar o blog, e ainda assim eu escrevi muito menos do que gostaria. Fiquei deixando acumular post como rascunho, não achando que tinha condições de terminar. Tive quase quatro vezes mais rascunho do que post publicado, isso tirando os tantos que só mantive em documento. Além dos que falavam sobre assuntos que não tenho domínio, os mais pessoais acabavam sendo mais de reclamações sobre mim mesma e lamentações, o que essa retrospectiva também é em parte.

Aliás, esse blog era para ser mais engraçado, mas com esse meu humor fica difícil. Acho que meu humor está melhor agora, provavelmente por que estou me mantendo mais ocupada. Uma meta pra ano que vem é escrever mais no blog, e escrever mais coisas aleatórias que acabei não tendo tanta coragem de escrever esse ano. Um problema é conseguir diferenciar quando escreverei mais sério ou de gozação, um problema geral da internet e que é maior quando você só usa da linguagem escrita. Espero conseguir dominar a arte da ironia na internet.

Estou pensando em criar blogs de assuntos mais específicos. Eu temo que determinados assuntos que eu fale atraia um público que não gostaria de outras coisas que posto ou afastando um público que gostaria das outras, preocupação essa que se tornou maior com a minha recente estreia como “pessoa polêmica” com o meu post “opinião – discurso de opressão”.

Os meus posts em inglês estão com um número menor de visualizações do que gostaria, e não sei se isso é por causa da língua ou pelo assunto. Daqui a pouco eu estarei implorando por shares, likes e comments.

Com a minha insegurança acho quase um milagre como consigo me expor no blog. Espero continuar assim, e não chegar a fazer algo de que me arrepende, pelo menos não muito.

Fonte da imagem

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