Sobre desenhar

 

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Amassado os restos de um desenho que tinha me frustrado. O outro é início de um desenho aleatório de uma tulipa com olhos

Se minha relação com a escrita é ruim, a com desenho consegue ser pior. Eu raramente desenho, e quando tento, acabo gastando meu tempo e energias pra não conseguir terminar desenho alguma coisa e ficar frustrada com o que fiz. Com o quanto essa tarefa me cansa e frustra, não é de se admirar que eu desenhe tão pouco.

À semelhança da escrita, o meu senso crítico é significamente maior que a minha capacidade de desenhar. Mas a diferença é pior. Antes de desenhar tenho a imagem do que gostaria de desenhar, e o resultado tem uma diferença gritante.

Recentemente eu comecei a assistir vídeos sobre desenho. Alimentando minha mente com o assunto de desenho, espero ficar mais interessada no assunto. Mas certamente o que tenho que fazer é desenhar mais, o que estou começando a fazer.

O meu primeiro grande abalo sobre minha confiança em saber desenhar foi quando reprovei na prova de habilidade específica para o curso de desenho industrial. Eu nem tinha considerado bem a possibilidade de não passar na prova específica, só considerando não passar no PAS ou vestibular. Pra mim, eu só precisava demonstrar que tinha o mínimo de habilidade de desenho, o que eu achava que tinha. A dúvida na minha habilidade, misturada com a insatisfação que eu tinha na tarefa e preguiça, acabou fazendo com que eu desenhasse ainda menos para basicamente abandonar aquilo que eu já considerei um dom meu.

Eu nunca fiz um curso específico de desenho ou artes, tendo só a aula semanal obrigatória na escola. Isso não quer dizer que eu não queira estudar desenho, como mencionei eu quis cursar desenho industrial. Mas por enquanto penso mais em aprender mais pela prática, usando a internet e pessoas próximas para sanar dúvidas.

Para melhorar, eu deveria continuar insistindo a desenhar enquanto eu ainda não sei fazer direito. Isso de certo modo vale para qualquer habilidade, e é provavelmente uma das coisas que me dificulta a aprender a tocar um instrumento musical ou aprender língua. O tempo gasto para melhorar enquanto está insatisfeita com o resultado é um tanto desgastante, e tenho vontade de desistir. Vontade essa que estou tentando combater agora. Resoluções de vida 2017!

Os únicos desenhos que costumo poder terminar e ficar satisfeita são desenhos baseados em fotos. Mas o que eu gostaria de poder fazer é desenho criativo. E assim depender tanto de referência me parece algo ruim. Não sei se devo começar dependendo mais de referências para então poder fazer figuras usando mais da minha imaginação ou desenhar de maneira mais estilizada para depois tentar mais realismo. Acho que tentarei os dois, mesmo por que gostaria de desenvolver estilos diferentes.

Desenho de personagem próprio é provavelmente o meu maior interesse em desenhar desde quando era criança. Quando era menor, fazia animais antropomórficos por que não sabia fazer humanos diferentes uma da outro. Eu comecei a fazer figuras mais propriamente humanas inspirada nos desenhos da revista W.I.T.C.H.. Quando comecei a colecionar mangá, o que fiz com minha irmã quando eu tinha uns doze anos, tentei desenhar como alguns que tinham um traço que eu gostava mais. Com as histórias que crio, queria desenhar os personagens, seja por que isso me ajuda a imaginá-los, definir sua personalidade ou algum outro motivo. Hoje teria um estilo próprio em evolução, ou estilos.

Mas, ao tentar desenhar figuras humanas, minha falta de domínio anatômico e incapacidade de desenhar roupas deixa o resultado insatisfatório. Eu percebo que tem problemas, mas pareço ainda não ter a capacidade técnica para corrigi-lo. Minha imaginação é bem melhor que minha técnica.

Um defeito comumente apontado no meu traço é como minha linha é bem indefinida, resultado provável da minha falta de confiança. Eu repito o traço até conseguir mais ou menos o resultado desejado. Posso apagar os traços, mas acho que algo dessa insegurança fica.

Se eu tenho insegurança com minha escrita, com desenho a coisa fica terrível. Quando era mais jovem e desenhava em público, podia me sentir meio envergonhada ou querer que alguém reparasse, dando sua opinião. Tendo dúvidas sobre meu próprio julgamento, querendo que alguém validasse a minha aprovação ou fornecesse alguma crítica construtiva. Pensei se essa necessidade de opinião alheia fosse uma fraqueza minha que deveria corrigir, mas hoje estou mais inclinada a pensar que isso é algo natural. Como eu sou fechada dentro de casa, pode ser mais difícil achar pessoas para comentar. Talvez recorra à internet.

Na foto mostrei um caso de eu ter rasgado e amassado o desenho que eu fiquei insatisfeita. Eu não costumo fazer isso, geralmente vou juntando uma pilha de esboços com que fiquei insatisfeita. Tentei destruir esse desenho pra ver se teria algum efeito catártico. Acho que não teve. Pelo menos não tive mais uma adição na pilha de desenhos não terminados que nunca hei de terminar. Eu fiquei cansada disso.

Para desenhar mais eu devo primeiro recuperar a alegria de desenhar, e acho que desenhar coisas aleatórias que eu não tenha grandes expectativas seja um caminho, como o desenho da tulipa com olhos. Outros seriam desenhos “expressivos”, que devem ficar um tanto quanto  estranhos ou depressivos. Também posso apelar para estilização/simplificação. Penso em fazer algumas tirinhas.

Mencionei que eu gosto de desenhar os meus próprios personagens, e criar uma imagem deles seria um dos meus motivos para desenhar. Também eu gosto de desenho, e ser capaz de criar obras que admire é um sonho meu. Outro motivo seria talvez a expressão. Pode ser também uma boa maneira de usar da minha imaginação.

Futuramente gostaria de adquirir um tablete de desenho. Se eu conseguir, começarei a fazer desenhos no computador e me esforçaria a aprender a usar o meio. Também seria bom se eu aprendesse a usar caneta tinteiro e tinta nanquim. Mas por enquanto acho que vou ficar mais no lápis grafite e lapiseira.

É provável que comece a postar desenhos bem antes de postar qualquer conto, crônica ou outros dos textos que prometi desde o início do blog. Posso até chegar a postar algum desenho antigo que eu não tenha tanta vergonha. Verei o que faço. Enquanto isso, vejo se consigo fazer do desenho um hábito diário.

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