Língua Estrangeira

Um dos conhecimentos que considero mais úteis é o de línguas naturais. Desenvolvimento de línguas faz parte do ser humano e serve de base para outros conhecimentos, e aprender outra língua lhe dá mais acesso a outras culturas. Mas também é algo que demora muito para aprender, exigindo bastante dedicação. Em minhas aventuras de tentar ser poliglota e meu interesse linguístico, reflito sobre o que é aprender uma língua estrangeira e como fazer isso.

As habilidades linguísticas são divididas em compreensão e expressão oral e escrita, o que seria escuta, fala, leitura e escrita. Uma língua natural é primariamente oral, mas é comum que estrangeiros estudem mais a língua escrita, e capacidade de leitura é o meu foco. De modo geral não existe muita necessidade de se expressar em uma língua estrangeira a não ser que você se mude ou seja forçado por circunstâncias de trabalho ou estudo, e só com inglês já dá pra ter acesso a várias coisas.

Além do mais, eu gosto de literatura. Então meu interesse em uma língua depende de um interesse na literatura, o que acaba excluindo as muitas línguas sem tão grande tradição literária e dependendo de eu ter me interessado na literatura/cultura previamente. Outras eu quero por curiosidade, como querer ter uma noção de como línguas de determinada família ou ramo linguístico funcionam, ou por ser parente de alguma que já conheço, mas acho difícil que eu avance tanto nelas.

Costumo considerar o inglês como língua semi-estrangeira para mim, já que aprendi essa língua de uma maneira bem mais natural do que terei de aprender qualquer outra língua estrangeira.  O ensino regular me ajudou com umas regrinhas gramaticais, mas a maioria do inglês que adquiri foi na prática ao longo de anos, tentando ler textos e livros ou assistir programas, filmes ou vídeos no YouTube. Não tendo esse histórico de longo contato com outras línguas, teria de me forçar mais a aprendê-las.

Para aprender uma língua é necessário contato. Com inglês é bem fácil, já que num país como o Brasil você acha música, filme e programas de televisão em inglês sem esforço, e mais da metade do conteúdo na internet é produzido em inglês. Para qualquer outra língua geralmente haveria um maior esforço para entrar em contato. Mas se você tiver disposição suficiente conseguirá contato, ainda mais no mundo da internet.

Eu me pergunto quanto deveria utilizar de um ensino metódico/analítico ou se devo tentar métodos mais naturais/intuitivos. Não quero dar uma de que sei mais que os outros, mas pessoas são diferentes, e métodos que sejam eficientes para alguns podem não ser para outros. Eu ainda estou em processo de treinar tais métodos.

Eu gosto de aprender a parte teórica de uma língua por que acho interessante, e no mínimo deve lhe dar a impressão de que tem algum domínio da língua. Mas de fato isso pode ter pouco impacto no aprendizado da língua prática. Não é como se você normalmente fizesse uma análise morfossintática para compreender textos ou falas na sua língua nativa, embora isso possa auxiliar na compreensão de como uma outra língua funciona.

Memorização de vocabulário é algo que evitei, já que não via muita utilidade nisso e esquecia as palavras rapidinho. Usei de alguns jogos que ajudavam nisso, mas não utilizei de flashcards até começar japonês, por causa dos benditos kanji. Cognatos ajudam muito, e com inglês eu agradeço os normandos. No alemão já vi menos, e japonês é outra história.

Aliás, uma coisa que ouço frequentemente é usarem o sistema de escrita como grande determinador de dificuldade. Embora leve um tempo para se acostumar e pode deixar escrita e leitura de início bem demorados, não acho que seja tão difícil. Um outro sistema de escrita que seja consistente pode ser mais fácil de aprender do que uma ortografia no alfabeto latino que você não entenda (francês, cough!). O cirílico não é tão diferente do latino, tendo inspiração grega, e o árabe ainda é aprendível, uma vez que você pare de confundir a posição e quantidade de pontos i‘jām. No caso do japonês, o silabário kana é até fácil de aprender, mas a coisa fica difícil com os logogramas kanji.

Uma dica que eu daria para aprender língua é não se importar tanto com os problemas que você vê. Toda língua natural vai ter uma boa quantidade de irregularidades e é em boa parte um sistema arbitrário. Existem muitas coisas que mesmo um falante nativo não entende da própria língua. É até interessante estudar origem de irregularidades, e pode fazer com que seja mais fácil entendê-las, mas às vezes você só precisa aceitar as esquisitices. Encrencar com um aspecto da língua pode atrapalhar bastante e te desanimar, como eu e a ortografia francesa.

Outro problema é o perfeccionismo, o que é uma entrave principalmente na fala. Creio que o primeiro foco do aprendizado deve ser na capacidade de comunicação e compreensão. Depois você pode se preocupar mais em seguir a norma padrão, aproximar o sotaque com o de um nativo. Adquirir alguma confiança com a língua é bom.

Apesar de eu ter várias línguas e mente para aprender, não espero chegar ao avançado em todas. Eu dividiria o meu interesse de aprendizado em três níveis: capacidade de me expressar, que chegaria numa fluência ou semi-fluência da língua; capacidade de ler, que me permitiria ler textos com auxílio de dicionário; e noção gramatical, que me faria ao menos ser capaz de entender a estrutura de frases mais simples e ter uma noção gramatical.

Atualmente estou praticando inglês, tentando dar procedimento ao alemão e começando japonês. São essas línguas que por enquanto espero chegar num nível mais avançado, e por essa última eu querer aprender dentro de um prazo sozinha gostaria de me concentrar nela. Outras muitas eu gostaria de ser capaz de ler, por enquanto estou deixando o estudo para depois.

Futuramente falarei de línguas em particular, seja coisas que aprendi, experiências, opiniões, compartilhar minhas vitórias, derrotas, lágrimas de alegria ou tristeza.

 

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